
Observação é meditação... A qualidade da observação, a qualidade de estar consciente, alerta - é isso o que é meditação.
Lembre-se de uma coisa: meditação significa consciência. O que quer que você faça com consciência é meditação... O caminhar pode ser uma meditação, se você caminha alerta... Ouvir os pássaros pode ser uma meditação, se você ouve com consciência. Simplesmente ouvir o barulho interior da sua mente pode ser uma meditação, se você permanece alerta e observador. A questão toda se resume em não se mover adormentado. Então o que quer que você faça é meditação.
O primeiro passo para a consciência é tornar-se muito atento ao seu corpo... E, à medida que você vai se tornando consciente, um milagre começa a acontecer: muitas coisas que você costumava fazer antes, simplesmente desaparecem; seu corpo se torna mais relaxado, seu corpo se torna mais harmonizado. Uma paz profunda começa a prevalecer até mesmo no seu corpo: uma música sutil pulsa em seu corpo.
Depois então, comece a se tornar consciente de seus pensamentos; o mesmo tem que ser feito com os pensamentos. Eles são mais sutis do que o corpo e, naturalmente, mais perigosos também. E quando você se torna consciente de seus pensamentos, você fica surpreso com o que se passa dentro de você. Se você anotar o que quer que passe em sua mente em qualquer momento, você nem pode imaginar que grande surpresa o espera.
Você não acreditará que tudo isso está se passando dentro de você.
E, depois de dez minutos, - você verá a mente louca que existe dentro de você! Como você não está alerta, toda essa loucura vai se movendo como uma corrente subterrânea. Ela afeta o que quer que você esteja fazendo, afeta o que quer que você não esteja fazendo; afeta tudo. E a soma total vai ser a sua vida! Assim sendo, esse homem louco tem que ser transformado. E o milagre da consciência é que você não precisa fazer nada exceto apenas tornar-se alerta.
O próprio fenômeno de observar a mente, a transforma. Pouco a pouco o homem louco desaparece, pouco a pouco os pensamentos começam a cair em um certo padrão; seu caos não existe mais, eles se tornam mais como um cosmo. E então, novamente, prevalece uma profunda paz. E quando seu corpo e sua mente estiverem em paz, você verá que eles estão sintonizados um com o outro, há uma ponte...
Pela primeira vez há acordo, e esse acordo ajuda tremendamente a trabalhar o terceiro passo que é tornar-se consciente dos seus sentimentos, emoções, humores.
Esta é a camada mais sutil e a mais difícil, mas se você puder estar consciente dos pensamentos, então basta apenas mais um passo. Uma consciência um pouco mais intensa é necessária, e você começa a refletir seus humores, suas emoções, seus sentimentos. Uma vez que você ganhou consciência em todos esses três passos, eles se juntam todos em um fenômeno.
E quando todos esses três se tornam um - funcionando juntos perfeitamente, zunindo juntos, você pode sentir a música de todos três; eles se tornam uma orquestra - então, o quarto, aquilo que você não pode fazer, acontece. Acontece por sua própria conta. É um presente do todo, e uma recompensa para aqueles que passaram por esses três.
E o quarto é a consciência definitiva, que o torna a pessoa acordada. Ela torna-se consciente da própria consciência - este é o quarto...
O corpo conhece o prazer, a mente conhece a felicidade, o coração conhece a alegria; o quarto conhece o êxtase.
A coisa importante é que você seja um observador, que você não tenha se esquecido de observar, que você vá observando... observando.... observando.
E, pouco a pouco, à medida que o observador se torna cada vez mais e mais sólido, estável, seguro, uma transformação acontece. As coisas que você esteve observando desaparecem. Pela primeira vez, o próprio vigia se torna o vigiado, o próprio observador se torna o observado. Você chegou em casa.”
Osho, Meditação, A Primeira e a Última Liberdade.